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Doença Hepática Alcoólica |
|
Dr. Stéfano Gonçalves Jorge
INTRODUÇÃO
Em 1994, o custo da
hepatopatia alcoólica (HA) nos Estados Unidos foi de 2,5 bilhões de dólares.
Desses, 1,6 foram por cirrose alcoólica, doença responsável por 44% das
26.000 mortes por cirrose, todos os anos, nos Estados Unidos. Dados recentes
sugerem que a sobrevida em 5 anos da cirrose alcoólica está entre 23 e 50%. A
terapia convencional consiste em abstinência e cuidados de suporte.
Infelizmente, o dano hepatocelular pode progredir apesar dessas medidas.
Cerca de dois
terços dos americanos adultos bebem álcool, a maioria deles sem problemas. Do
restante, um pequeno subgrupo é formado por pessoas que sofrem os efeitos
negativos do álcool (desemprego, perda de familiares, acidentes), sem no
entanto apresentar dependência. Outro subgrupo é dependente do álcool,
apresentando alcoolismo.
ALCOOLISMO
|
Características |
Clínica |
|
Tolerância |
Um estado de
adaptação no qual o aumento na ingestão de álcool é necessário para
produzir o efeito desejado |
|
Dependência
física |
Uma síndrome
típica aparece à retirada do álcool, que melhora com o álcool ou
outras drogas do mesmo grupo |
|
Perda de
controle |
Uma vez que
inicia o consumo, não consegue controlar a quantidade |
|
Vício |
Um medo de
abstinência que leva à recidiva |
É importante
ressaltar que os sinais, sintomas e a severidade da doença hepática é
variável entre os indivíduos e o estágio histopatológico. Por exemplo, a
taxa de mortalidade para hepatite alcoólica varia entre 0 e 100%. Além disso,
pacientes relativamente assintomáticos podem apresentar doença
histologicamente avançada, enquanto que descompensação clínica com mau
prognóstico pode ocorrer independente do grau de lesão (leia mais sobre
alcoolismo aqui).
DIAGNÓSTICO
Screening para
hepatopatia alcoólica. Obter uma detalhada história de abuso de álcool;
Exame físico
detalhado, procurando por sinais de hepatopatia crônica e sua severidade;
-
Telangiectasias
cutâneas, eritema palmar, baqueteamento de dedos, contraturas de
Dupuytren, neuropatia periférica, hipogonadismo e ginecomastia;
Perfil hepático
(albumina, bilirrubina, AST/ALT, RNI, hemograma);
-
AST>ALT,
ambos com aumento < 7 vezes;
-
Abuso de
álcool: GGT aumentada (sens. 69-73%, espec. 65-80%); VCM aumentado (sens. 27-52%, espec. 85-91%); CDT (transferrina deficiente de
carboidrato) aumentada (sens. 58-69% e espec. 82-92%);
Deve-se lembrar
que a dose "tóxica" diária de 80 g de álcool por 10-12 anos
não é absoluta, especialmente em mulheres (60 g) e portadores de
hepatite C:
|
Bebida
|
Unidade
|
mL
|
Etanol (g)
|
|
Cachaça
|
dose
|
50
|
17
|
|
|
garrafa
|
660
|
220
|
|
Destilados (whiskey, vodka)
|
dose
|
50
|
+/- 16
|
|
Aperitivos (martini, campari)
|
dose
|
50
|
+/- 8
|
|
Cerveja
|
copo
|
250
|
9
|
|
|
lata
|
350
|
13
|
|
|
garrafa
|
660
|
25
|
|
g/L = °GL x 10
x 0,7893
Fonte: Neves, MM e cols. Concentração de etanol em
bebidas alcoólicas mais consumidas no Brasil. GED 8(1):17-20, 1989
|
Em alguns casos
duvidosos, pode ser necessária a realização de biópsia hepática;
-
Morbidade da
biópsia hepática: 0,1-0,6%; mortalidade 0,01-0,03%;
-
Diagnóstico clínico
da hepatopatia alcoólica: sens. 79-91% e espec. 96-98%;
-
Para confirmar
o diagnóstico, excluir causas concomitantes e definir o prognóstico;
-
Hepatite
alcoólica ?
TRATAMENTO
A importância
da abstinência deve ser continuamente enfatizada;
Os pacientes
devem ser bem nutridos;
Durante
internações por descompensação clínica, a terapia nutricional deve ser
agressiva;
As
complicações da cirrose devem ser tratadas do mesmo modo que nos
cirróticos não alcoólatras;
Pacientes com
hepatopatia terminal devem ser referidos ao transplante, geralmente com
abstinência de 6 meses. Antes da cirurgia, deve ser avaliada a presença de
outras doenças relacionadas ao álcool ( como pancreatite e cardiomiopatia
) e o risco de recidiva.
Terapias
Farmacológicas Testadas
|
Agente |
Estudos |
Pacientes |
Bons
resultados |
|
Terapia
a longo prazo |
|
PTU |
1 |
310 |
1 |
|
Colchicina |
1 |
45 |
1 |
|
Terapia
a curto prazo |
|
Corticosteróides |
12 |
749 |
5 |
|
Suplem.
aminoácidos |
8 |
291 |
2 |
|
Insulina /
glucagon EV |
5 |
307 |
1 |
|
PTU |
2 |
105 |
0 |
|
Testosterona |
2 |
140 |
0 |
|
Oxandrolona |
2 |
173 |
1 |
|
Colchicina |
1 |
72 |
0 |
HEPATITE
ALCOÓLICA
Corticosteróides
devem ser usados em pacientes com hepatite alcoólica severa nos quais há
certeza no diagnóstico. A eficácia dos corticosteróides ainda não foi
adequadamente avaliada em pacientes com hepatite severa associada a
pancreatite, hemorragia gastrointestinal, insuficiência renal e infecções.
A confirmação
histológica da hepatite alcoólica otimiza a seleção de pacientes para
corticoterapia. No entanto, se o risco da biópsia for grande, o
diagnóstico pode ser confiado aos exames clínico e laboratorial.
Apesar da
suplementação de aminoácidos não demonstrar melhora da sobrevida, o uso
de proteína é bem tolerado e a desnutrição pré-existente deve ser
corrigida agressivamente.

Artigo criado
em: 2001
Última revisão: 2001
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