O Hepcentro

Página principal
Objetivos
Agradecimentos
Ética médica
Médicos
Direitos autorais


Artigos

Biblioteca
Dúvidas
Pesquisa
Links


Dúvidas por e-mail

Dr. Stéfano Gonçalves Jorge

Share |

   Caros visitantes,

   Nós da equipe do Hepcentro entendemos que muitas regiões do Brasil são carentes de gastroenterologistas que atuem na área de Hepatologia e que mesmo o acesso ao gastroenterologista é muito difícil para uma boa parcela da população. E que mesmo aqueles que conseguem muitas vezes saem das consultas com dúvidas sobre questões que não conseguiram entender ou que só ocorreram depois. Assim, desde a criação do site, em 2001, já recebemos e respondemos a milhares de e-mails com dúvidas e sugestões. 

   O esclarecimento de dúvidas e orientações por e-mail, no entanto, não são uma consulta médica e não prescindem da avaliação adequada pelo seu médico. Uma lista de hepatologistas pode ser obtida no site da Sociedade Brasileira de Hepatologia (www.sbhepatologia.org.br). Não fazem parte das orientações a prescrição de remédios, a solicitação de exames, a prescrição de dieta (que deve ser individualizada para cada pessoa) nem a elaboração de diagnóstico, que pode ser errôneo por informações limitadas, a ausência de exame clínico e a falta de avaliação adequada de exames de imagem. Mesmo assim, a grande maioria das dúvidas pode ser solucionada por e-mail.

   Se possível, utiliza a ferramenta de pesquisa do site para saber se a resposta para a sua dúvida não está lá. Se não estiver, procuraremos responder o melhor possível, mas as respostas não poderão ser muito precisas se as informações forem vagas e as perguntas, confusas. Como não fazemos arquivo dos e-mails repondidos, sempre que for responder a uma mensagem nossa, prefira "responder" ao invés de criar uma nova mensagem, pois nesse caso os dados anteriores serão perdidos e teremos que começar a discussão de novo.

   Por favor, não enviem mensagens do tipo "tenho uma tese para escrever e quero saber tudo sobre...". Pesquisas científicas e acadêmicas devem ter por base livros texto e/ou artigos científicos, não textos da internet. Podemos ajudar em dúvidas que possam surgir nesses trabalhos, mas não fazer o trabalho no seu lugar. Recebemos também muitas mensagens sobre dúvidas não relacionadas a doenças do fígado. Há centenas de sites de outras especialidades ou sites abrangendo todas elas na área de links, procurem tirar suas dúvidas com o especialista correto.

   Tendo em vista a grande quantidade de mensagens, as mesmas são lidas e respondidas assim que possível, mas algumas vezes, a resposta pode demorar pelo excesso de e-mails que recebemos, se for reconhecida como spam pelo servidor (como mensagens sem título), ou quando enviadas ao profissional errado. Procuramos responder a todos os e-mails, se não receber uma resposta em poucos dias observe se a sua caixa de mensagens não está cheia ou com filtro de spam ativado.

Dr. Stéfano Gonçalves Jorge
Responsável Técnico
CRM-SP 88.173
12/12/2006

Dr. Stéfano Gonçalves Jorge

 

Hepatologia clínica

 

Dra. Adriana Maria Alves De Tommaso

Hepatologia pediátrica

 

Dr. Miki Mochizuki

Hepatologia cirúrgica

   Os e-mails abaixo foram selecionados por serem mais característicos ou por se referirem a assuntos não abordados em textos completos. O sigilo foi preservado e os autores autorizaram a sua publicação.

30/12/01 - Enviada por E.G.A.

    Gostaria de saber se uma pessoa após ser infectada por hepatite (de qualquer classe) corre o risco de pegar outro tipo de hepatite de uma outra classe

    Para tornar as coisas mais fáceis, decidimos usar letras como nomes dos vírus das hepatites.  Isso não significa, de modo algum, que eles sejam parecidos. São todos muito diferentes e o único ponto em comum é que afetam primariamente o fígado humano (o da hepatite B também atinge o rim, o da C pode provocar reumatismos, etc.). Portanto, ao se tornar imune contra uma hepatite você ainda corre o risco de adquirir outras. Poderia ter ate 2 ou 3 hepatites. No meu projeto de pesquisa, por exemplo, 12,5% dos pacientes tem hepatites B e C.

leia mais sobre o assunto aqui

28/12/01 - Enviada por A.M.

    Recentemente fui infectado pelo vírus da Hepatite, ainda estou aguardando exames para diagnosticar se "A" ou "B", mas como há 3 meses tiver relação sexual com portadora de hepatite B crônica, tenho quase certeza que a sorologia para essa hepatite seja positiva. Apesar de fazer sexo com preservativo, poucos, alias ninguém comenta a respeito de contaminação por sexo oral, o que justamente creio ter sido a causa da minha contaminação. Não sei se isso é possível ou não mas é a única explicação que dou para ter apresentado os sintomas de hepatite 2 a 3 meses depois de ter tido relação com esta pessoa. Gostaria de saber quais são os riscos de se continuar com a rotina do dia a dia, principalmente o trabalho na questão do agravamento da hepatite. Me foi informado que o governo cobre os custos com o tratamento da hepatite. Como faço para entrar nesse programa ? Quais órgãos devo procurar ?

    A transmissão pelo sexo oral é possível em praticamente todas as doenças sexualmente transmissíveis, como a hepatite B e a AIDS. A hepatite A, mais relacionada a quadros de hepatite aguda, com amarelão (icterícia), é de transmissão oro-fecal, o que pode ocorrer no ato sexual. Por isso, recomenda-se utilizar algum mecanismo de barreira, como um preservativo cortado, para a realização do sexo oral. Quanto ao trabalho e a hepatite, não ha necessidade de repouso, apesar da hepatite diminuir a disposição para o trabalho. No caso da hepatite A, poderia haver transmissão se compartilhar objetos de uso pessoal. O governo realmente oferece o tratamento para a hepatite B e C, gratuitamente. Para ter acesso ao tratamento, e necessário procurar um centro especializado na sua cidade, ou se informar na Secretaria de Saúde do município aonde seria o centro de referencia. Não se preocupe com papelada, isso será resolvido aonde se realizara o tratamento.

14/11/01 - Enviada por J.S.

    As minhas taxas de TGP estão sempre alteradas, já fiz vários exames clínicos e radiográficos (todos) a sugestão é sempre esteatose já que tenho 100Kg e tomo cerveja nos finais de semana, quase sempre abusando. Se realmente for esteatose o que devo fazer para reverter este quadro?

    Provavelmente você está sofrendo de esteato-hepatite. É normal o acúmulo de gordura no fígado (a esteatose), como uma forma de defesa do organismo para evitar o aumento das gorduras no sangue ou estocar o excesso de energia causado por dieta inadequada, diabetes ou álcool. O mais importante é que, por algum motivo que ainda não compreendemos, inicia-se um processo de inflamação do fígado por essa gordura, levando a destruição dos hepatócitos (principais células do fígado). Essa destruição prolongada (que aparece no exame de sangue como aumentos de TGO e TGP) age do mesmo modo que as hepatites, com tendência a evoluir para cirrose. Muitos tratamentos estão sendo estudados para isso no momento, mas nenhum é conclusivo por enquanto. O principal é tratar os fatores de risco. No seu caso, é primordial parar de beber e começar a perder peso e retornar com o seu médico.

leia mais sobre o assunto aqui

14/11/01 - Enviada por J.S.M.

    Tive contato sexual com portador de hepatite B, mas só fui informada após alguns meses. A pessoa contaminada, que nunca teve sintomas, passou-me a seguinte informação: que após alguns exames e consulta médica com especialista, foi informado que já não mais possuía o vírus no organismo e que também não era transmissor da doença,  disse inclusive que seu parceiro sexual nem precisava fazer exames. Eu estou me preparando para fazer os exames necessários, mas gostaria de confirmar esta informação. É possível que alguém que já tenha dado exame positivo para hepatite B, desaparecer os vírus do organismo ? Ele continua portador transmitindo a doença ?

    Como praticamente todos os vírus, o da hepatite B é identificado pelas células de defesa do organismo, que iniciam todo o processo de "convocação" do sistema imunológico para destruir o agressor. Na hepatite B, cerca de 90% das pessoas conseguem deste modo curar sozinhas da hepatite B. As demais permanecem com o vírus no organismo e a doença torna-se crônica. Pelo que nos escreveu, o seu parceiro foi um dos felizardos e curou-se da hepatite sem a necessidade de um tratamento prolongado e dispendioso. Classicamente, acredita-se que as pessoas curadas tornam-se imunes à hepatite B, sem o vírus no organismo e portanto incapazes de transmitir a doença. No entanto, estudos recentes demonstram que naqueles pacientes com cirrose e com hepatite B curada, submetidos a transplante de fígado, alguns voltam a apresentar o vírus no organismo. Provavelmente deve restar uma quantidade mínima, indetectável, do vírus destes pacientes, que volta a aparecer com as medicações que inibem o sistema imunológico, usadas no transplante para impedir a rejeição. Essa quantidade mínima não é suficiente para ser transmitida por via sexual. O seu risco é quase nulo. Mas, na minha opinião, um risco de um em um bilhão é suficiente para tirar o sono de qualquer pessoa. Faça o teste. Se vier negativo, pode ficar sossegada. Repita 6 meses após a última relação de vocês para ficar livre dessa dor de cabeça para sempre. Mas o mais importante é outra coisa. A hepatite B é uma doença sexualmente transmissível, que pode vir acompanhada de outras, especialmente o HIV. Procure o seu médico para fazer toda uma bateria de exames para DSTs e use preservativo. Vale muito mais a pena do que ficar com essa preocupação depois.

leia mais sobre o assunto aqui

13/11/01 - Enviada por P.G.A.

    Minha mãe está acometida de uma doença no fígado chamada pelos seus colegas de encefalopatia, em pesquisa na internet só encontrei como a doença da vaca louca ou seja somente em animais. Estou tentando obter maiores informações sobre a doença, suas causas e tratamentos, pois minha mãe está bastante grave não podendo ser submetida ao transplante em virtude de seu estado de fraqueza.

    A encefalopatia hepática é decorrente da incapacidade do fígado de tirar do organismo algumas substâncias que são tóxicas. Estas substâncias podem influenciar e alterar o funcionamento do sistema nervoso, levando a quadros de alteração do comportamento e principalmente sonolência. Há alguns tratamentos para isso, mas são só temporários. Quando aparece a encefalopatia, é sinal que o fígado está muito comprometido ou que há algo o prejudicando, como infecções. Quando aparece sem nenhuma outra causa, normalmente é necessário o transplante do fígado. Mas pelo visto não há condições de fazê-lo agora. Concentre-se em administrar as medicações prescritas para que sua mãe melhore mais rápido. Outra coisa muito importante é a dieta. As substâncias tóxicas são em sua maioria provenientes das proteínas animais da dieta, que devem ser evitadas (ou seja, carne, ovos, leite e derivados). Use proteínas vegetais, como a soja. Os portadores de cirrose desnutrem muito fácil, por diversos motivos. O melhor para evitar isso é comer a intervalos menores, em pequena quantidade. Procure um nutricionista, que poderá preparar um cardápio detalhado e complementos especiais se necessário. Talvez isso seja suficiente para melhorar a fraqueza da sua mãe e permitir o transplante. Não esqueça que a encefalopatia hepática é uma doença do fígado, não do cérebro. Após o transplante, sua mãe voltaria ao normal.

leia mais sobre o assunto aqui

13/11/01 - Enviada por R.R.M.

    Gostaria de saber se o aleitamento materno é contra indicado em casos de mães portadoras de hepatite  B.

    As principais vias de transmissão da hepatite B em nosso meio são a sexual e a parenteral (pelo sangue contaminado). No entanto, em outros países, principalmente na Ásia, o contágio perinatal (ao nascimento) é mais importante. Esse tipo de transmissão, ao contrário das demais, geralmente leva à hepatite crônica e freqüentemente a cirrose. Ocorre principalmente ao nascimento, pelo contato entre o sangue materno e o líquido amniótico. O sangue da mãe e do feto não se misturam antes, impedindo a transfusão antes do nascimento.

    Para evitar que isso aconteça, o exame da hepatite B é realizado rotineiramente no pré-natal. No caso das mães com hepatite B, a criança recebe vacina e/ou soro logo após o nascimento, para impedir a transmissão.

    O vírus da hepatite B é raramente encontrado em secreções como o leite materno, suor e lágrimas, e mesmo assim em quantidades tão pequenas que não permitem a transmissão. Não há portanto necessidade de impedir o aleitamento materno.

leia mais sobre o assunto aqui

30/10/01 - Enviada por R.R.F.

    Gostaria de saber  através de qual exame a Hepatite Autoimune pode ser detectada, se ela tem cura e qual o tratamento.

    A hepatite autoimune é de diagnóstico difícil, pois depende de diversos critérios e o diagnóstico é feito por uma escala na qual se somam ou subtraem pontos (abaixo). Normalmente o diagnóstico de hepatite autoimune é realizado em uma das três situações:

  1. Quando é feita a investigação da causa de uma cirrose;

  2. Em pacientes portadores de outra doença autoimune, nos quais a investigação da doença do fígado é necessária;

  3. Na investigação de pessoas que realizaram exames de check-up ou doadores de sangue, cujos exames demonstraram alterações no fígado. 

Critérios Diagnósticos

Gênero

 

Álcool

 

feminino

+2

< 25 g/d

+2

Fosfatase alcalina / AST

 

> 60 g/d

-2

³ 3 vezes

-2

Outra doença autoimune

 

< 3 vezes

+2

paciente ou parente

+1

Gamaglobulina ou IgG

 

Achados histopatológicos

 

> 2,0 vezes

+3

hepatite lobular e necrose em ponte

+3

1,5 - 2,0 vezes

+2

necrose em ponte

+2

1,0 - 1,5 vezes

+1

rosetas

+1

< 1,0 vezes

0

infiltrado plasmocitário intenso

+1

ANA, SMA ou anti-LKM1

 

alterações biliares

-1

> 1:80

+3

alt. sugest. de outra patologia

-3

1:80

+2

Fenótipos HLA

 

1:40

+1

B8-DR3 ou DR4

+1

< 1:20

0

Resposta ao tratamento

 

Anticorpo antimitocôndria

 

completa

+2

positivo

-2

parcial

0

Marcadores virais

 

falência

0

IgM anti-HAV ou HBsAg

-3

sem resposta

-2

HCV RNA

-3

recaídas

+3

anti-HCV / RIBA

-2

 

 

todos negativos

+3

Score Diagnóstico

 

Drogas

 

Pré-tratamento

 

sim

-2

definitivo

> 15

não

+1

provável

10-15

Hemotransfusão

 

Pós-tratamento

 

sim

-2

definitivo

> 17

não

+1

provável

12-17

    O tratamento é basicamente por imunossupressão, com prednisona e azatioprina. A remissão, ou seja, a parada do processo de doença, ocorre em 65% dos pacientes em 2 anos de tratamento.

leia mais sobre o assunto aqui

19/10/01 - Enviada por Beto.

    Gostaria de saber quais os tipos de hepatites existentes, se tem algum tipo mais grave e se tem cura.

    Chamamos de hepatite a inflamação do fígado, geralmente associada a destruição de células. Podemos dividir as hepatites de acordo com a forma de apresentação ou a sua etiologia (causa).

Quanto à apresentação clínica

Aguda

Surgimento súbito

Subfulminante

Surgimento súbito e grave, com coma após 8 semanas

Fulminante

Surgimento súbito e grave, com coma em até 8 semanas

Crônica

De longa duração, gravidade variável

Cirrose

Consequência da hepatite crônica, independente da etiologia

Quanto à etiologia

Viral

Vírus A, B, C, D, E, G, TTV, SEN-V, CMV, EBV, HSV

Alcoólica

Drogas

Paracetamol, metildopa, amoxicilina-clavulanato, etc.

Autoimune

Distúrbio imunológico

Esteato-hepatite

Causada pelo acúmulo de gordura no fígado

    De modo geral, o termo hepatite subentende a hepatite viral. A hepatite A é a mais comum em nosso meio, transmitida pela água, alimentos contaminados e de uma pessoa para a outra, geralmente apresentando-se como um quadro gripal em crianças, sendo então difícil o diagnóstico. Alguns tem apresentação típica, com pele e olhos amarelados (icterícia), náuseas e febre. Costuma curar (sozinha, não há necessidade de medicação) em até 4 semanas e a mortalidade é menor que 0,2%.

    A hepatite B é transmitida principalmente pelo sangue contaminado (transfusões, acidentes com agulhas, drogas), relações sexuais e da mãe para o bebê na hora do parto. A apresentação aguda se assemelha à da hepatite A, com mortalidade de 0,1 a 0,5%, mas pode persistir e se tornar crônica em até 5% dos adultos (e até 90% nas transmissões no parto). Destes, de 12 a 20% podem desenvolver cirrose em 5 anos e 6 a 15% câncer do fígado (hepatocarcinoma). As pessoas com risco de adquirir hepatite B devem receber vacina, que já está disponível nos postos de saúde. Há tratamento para a hepatite B, com cerca de 50% de taxa de cura.

    A hepatite C poderia ser considerada a mais grave por alguns motivos. O modo de transmissão melhor caracterizado é por transfusões de sangue, mas apenas 4% dos infectados foram transfundidos. Após 6 a 12 meses de uso de drogas endovenosas, 80% dos usuários adquirem a hepatite C. Pode haver transmissão por via sexual, em até 15%. A transmissão no parto pode chegar a 6%. De 6 a 8% dos convívios familiares (não sexuais) se infectam. Há cerca de 100 milhões de infectados no mundo, e estima-se infectada 1,4% da população de São Paulo (e 2% dos doadores de sangue de todo o Brasil).

    Dos infectados com hepatite C, cuja apresentação aguda é geralmente leve e passa despercebida, 85% continuam com hepatite crônica, 20% destes com cirrose em 20 anos, com risco de 1 a 4% ao de câncer do fígado. Podemos esperar em breve uma "epidemia" de cirrose e câncer de fígado. O tratamento da hepatite C tem resultados piores que o da B. O tratamento convencional, com interferon, tem resposta em 10-20% dos casos. A associação recente com a ribavirina mostrou resposta em 30-35%. Um novo medicamento, o peg-interferon, recém lançado no Brasil, tem 50% de resposta. A associação do peg-interferon com a ribavirina provavelmente trará resultados ainda melhores, mas os estudos ainda estão sendo realizados.

PRÓXIMA PÁGINA

Para enviar dúvidas, clique abaixo:


Campanhas


Publicidade