O Hepcentro

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Dr. Stéfano Gonçalves Jorge

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CONTINUAÇÃO

12/01/02 - Hemocromatose - Enviada por W.C.

    Constatada a presença de hemocromatose no fígado através de ressonância magnética, qual o novo procedimento a seguir ? se existe alguma dieta especial e qual o exame sugerido para medir a quantidade de ferro no organismo ?

    O diagnostico da hemocromatose costuma ser realizado através de exames de sangue. O diagnóstico através da ressonância pode ser utilizado também, mas não dispensa os laboratoriais. Devem ser realizados os exames para avaliação de função (albumina, RNI, bilirrubinas) e lesão (AST, ALT, GGT) hepáticas, da quantificação do overload de ferro (ferritina, ferro, TIBC, saturação da transferrina e, se possível, biopsia hepática) e da etiologia da hemocromatose (testes genéticos). Sem estes exames, não e possível um tratamento adequado pois não sabemos a gravidade da doença e nem teríamos parâmetros seguros de avaliação do tratamento

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12/01/02 - Enviada por M.A.

    Quando criança tive Giardia no fígado, e hoje aos 29 anos tenho colesterol um pouco elevado. Existe alguma ligação ? A giardia poderia de alguma forma enfraquecer o fígado ? Tenho sentido a boca amarga quando acordo, tem alguma ligação ?

    A giardíase é uma infecção comum do intestino delgado humano pelo protozoário Giardia sp. A sua incidência varia entre 20-30% nos paises em desenvolvimento e 2-5% nos desenvolvidos. Após a infecção, 90% das pessoas apresenta diarréia aquosa, explosiva e fétida, sem sangue. Os sintomas sub-agudos ou crônicos podem ser flatulência, fezes amolecidas, distensão abdominal, dor no estômago e até a boca amarga que você sente pela manhã. O diagnóstico geralmente é feito pela análise de 6 amostras de fezes consecutivas, mas pode também ser feita por escovado ou histologia do duodeno, alem de aspiração do suco duodenal.

    As manifestações extra-intestinais da giardíase são raras: colecistite crônica (inflamação da vesícula), hepatite granulomatosa e colangite (infecção da bile), geralmente associadas a desnutrição e diarréia.

12/01/02 - Enviada pelo Dr. P.M.

    Solicito informações sobre o Vírus Delta da Hepatite. Aspectos gerais de sua etiopatogenia, evolução e tratamentos existentes. Sei que é  rara  e ocorre em região Amazônica e  pode evoluir para cirrose.

    O vírus da hepatite D ou delta é um dos menores vírus RNA animais. Tão pequeno que é incapaz de produzir seu próprio envelope protéico e de infectar uma pessoa. Para isso, ele precisa utilizar a proteína do vírus B. Portanto, na grande maioria dos casos a hepatite D ocorre junta a B, ambas com transmissão parenteral (sangue contaminado e sexual). O vírus D normalmente inibe a replicação do B, que fica latente.

 

Coinfecção com HBV

Superinfecção no portador de HBV

Gravidade da infecção aguda

Variável

Geralmente severa

Cronicidade

Rara (2%)

Freqüente (70-80%)

    Na fase aguda da infecção, ocorre esteatose microvesicular e necrose granulomatosa eosinofílica por ação citotóxica direta do vírus (a variedade amazônica é uma das mais severas). Na fase aguda, a atividade necroinflamatória costuma ser severa. Em pacientes já portadores do vírus B que apresentam infecção aguda pelo D, esta pode ser severa com hepatite fulminante. Ao contrario da hepatite B, não apresenta manifestações extra-hepáticas.

    O diagnostico ocorre pela sorologia anti-HDV (IgM para infecções agudas e IgG para as crônicas - o anticorpo IgG não é protetor) ou por PCR. O PCR mostra que ha replicação (multiplicação) em virtualmente todos os pacientes com vírus D.

    O tratamento é realizado classicamente com alfa interferon em altas doses (9 MU 3 vezes por semana por 12 meses apos a normalização do ALT), mas os resultados são desapontadores. Ha resposta sustentada (normalização do ALT e clearance do HDV) em menos que 10%, com taxa de cura em uma porcentagem destes. Alem disso, doses tão elevadas de interferon apresentam efeitos colaterais severos, principalmente tireoidite e depressão com tentativas de suicídio. O aparecimento do PEG-interferon deve trazer melhores resultados ao tratamento, mas ainda não ha estudos sobre o assunto.

    O melhor modo de prevenção é a vacina para hepatite B, pois nenhuma vacina para o vírus D tem se mostrado efetiva.

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12/01/02 - Enviada por L.A.G.M.

    Recentemente minha filha foi vacinada contra hepatite A. Gostaria de saber se há possibilidade dela desenvolver algum tipo de reação tal como diarréia.

    As únicas reações que podem ser relacionadas a vacina contra a hepatite A são dor leve, avermelhamento e endurecimento no local da injeção.

20/09/02 - Enviada por G.H.

   Gostaria de receber informações sobre o carcinoma fibrolamelar do fígado. Já pesquisei em diversos livros, inclusive em alguns especializados em neoplasias hepáticas, mas encontro pouquíssima coisa; me parece que os autores a deixam em segundo plano, à sombra do carcinoma hepatocelular.

  

   Em 1980, Craig et al. descreveram 23 casos de carcinoma hepatocelular caracterizados por hepatócitos profundamente eosinofílicos e fibrose pocicionados de modo lamelar (Craig, Cancer, 1980; 46:372). Grosseiramente, o tumor é bem limitado e contem septos fibrosos mimetizando hiperplasia nodular focal. Na sua série, este tipo constituía cerca de 7% dos casos de câncer hepático primário. A maioria dos pacientes era jovem, a ressecabilidade era alta e a sobrevida significativamente maior em comparação ao carcinoma hepatocelular normal.

20/09/02 - Enviada por M.A.

   Gostaria de saber se existe algum site falando sobre peliosis hepatis ocasionado por esteróides anabolizantes, porque eu estou fazendo uma pesquisa, ou seja, um levantamento para que eu possa fazer a minha monografia.

A peliose hepática é uma doença hepática vascular induzida por drogas. É caracterizada por cavidades preenchidas por sangue que estão distribuídas randomicamente pelo lóbulo hepático. Na microscopia eletrônica, há constantes alterações no alinhamento endotelial (Scoazec, GastrClinBiol, 1995; 19:505). Nas formas menos severas, as células endoteliais ainda estão presentes, mas esparsas. O espaço entre as células endoteliais permitem a entrada de eritrócitos no espaço de Disse. Nas formas mais severas, o alinhamento endotelial é completamente ausente e as cavidades sanguíneas são limitadas diretamente pelos hepatócitos.

A maioria dos casos são assintomáticos e os exames hepáticos estão normais ou pouco aumentados. Em alguns casos, no entanto, a doença evolui com icterícia, hepatomegalia, hipertensão portal, hemoperitônio e insuficiência hepática. A peliose a longo prazo pode levar tanto a fibrose peri-sinusoidal ou a hiperplasia nodular regenerativa (Izumi, JHepatol, 1994; 20:129; Scoazec, GastrClinBiol, 1995; 19:505).

As drogas mais freqüentes que causam a peliose hepática são os esteróides androgênicos (anabolizantes), em especial os esteróides 17-alfa-alquilados. Outras drogas incluem azatioprina, 6-tioguanina, cloridro de vinil e derivados do arsênico. Apesar de alguns casos descritos em mulheres utilizando contraceptivos orais, isso é muito controverso se analisarmos a grande quantidade de mulheres em uso deste tipo de medicação e os pouquíssimos casos encontrados.

Fonte principal: Bircher, J, Benhamou, JP et al. Oxford Textbook of Clinical Hepatology, Oxford Medical Publications,1999.

26/07/04 - Enviada por S.S.

   Tenho uma filha de 14 anos e ela se sentiu mau após ficar um longo período sem alimentar (uma tarde inteira) em meados de junho. Por ela estar com uma cor amarela inclusive os olhos,  resolvemos então levá-la ao pediatra. Chegando lá a principio a médica achou ser Hepatite o que foi descartado após análise dos exames de sangue. Fomos encaminhados a um Gastroenterologista e foram feitos outros vários exames de sangue e ficou comprovado que se tratava da Síndrome de Gilbert. Sua Bilirrubina se estabilizou em: BT - 3,4 BI - 2,8  BD - 0,6.  Os médicos nos aconselharam diminuir o intervalo entre as refeições dela e faremos novos exames em agosto para verificar os níveis da Bilirrubina. Saliento que ela nasceu com icterícia e ficou internada por aproximadamente 05 dias (...) no sumário de alta consta o seguinte diagnostico - icterícia por incompatibilidade ABO.

   Diante destas informações faço as seguintes perguntas:

   Antes de mais nada, gostaria que entendesse que a Sd. de Gilbert não é uma doença, mas uma alteração do normal. Por uma atividade reduzida de uma enzima, o único sintoma é essa cor amarelada em situações de estresse, tanto emocional quanto física. Costuma haver melhora após a adolescência, portanto sua filha pode chegar a nem ter esse sintoma no futuro. A Sd. de Gilbert não causa lesões no fígado e em nenhum outro órgão, mas é uma condição hereditária e pode ser passada aos seus netos, mas isso não é motivo para preocupação.

1 - Se tivermos outro filho, corremos o risco desta criança ter este mesmo problema de incompatibilidade ?

Sim, desde que ele tenha sangue tipo B.

2 - Minha filha gerará filhos com esta mesma doença ?

Possivelmente sim, mas, como eu disse acima, não é uma doença.

3 - A diminuição entre refeições é a única maneira de controlar esta doença ?

A diminuição do intervalo entre as refeições é uma das melhores maneiras de evitar o amarelamento. Além disso, deve-se evitar exercícios intensos, medicamentos que sejam tóxicos ao fígado e infecções.

4 - Ela terá de conviver com isto para sempre ou tem cura ?

Após a adolescência os sintomas dificilmente aparecerão, mas não há cura, pois é uma condição genética.

5 - Ela pode praticar esportes com elevado esforço físico (natação, academia, etc ...) ?

Pode, isso não fará mal algum, mas é possível que a icterícia (amarelamento de pele e olhos) apareça após exercícios físicos intensos.

6 - Ela possui um sopro inocente no coração, isto agrava a situação ou é indiferente ?

É completamente indiferente.

7 - Ela tem alergia a medicamento da família do Biofenac, isto prejudica em algo ?

Essa classe de anti-inflamatórios é hepatotóxica e deveria ser evitado pois poderia desencadear icterícia, mas já que ela é alérgica, isso seria apenas mais um motivo para não tomar diclofenaco.

8 - Existe algum alimento que contribui com a não transformação da BI em BD ?

Não há necessidade de qualquer tipo de dieta.

9 - Uma pessoa que nasce saudável (níveis de BI < 1) corre o risco de adquirir esta doença ?

Não há relação entre a Síndrome de Gilbert e a icterícia neonatal que sua filha teve por incompatibilidade ABO.

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13/02/07 - Enviada por C.J.D.

   Fui à manicure e percebi que usou o alicate sem esterilização,apenas passou um algodão com álcool. Qual a possibilidade de contágio caso o alicate esteja contaminado? E qual a duraçã do vírus (da hepatite) fora do corpo humano?

   O tempo de "sobrevivência" do vírus se não for fosse feita nenhuma limpeza do material em contato com sangue seria de 4 dias para o vírus da hepatite C e 7 para o da hepatite B. O risco de infecção pelo contato com esse material estaria entre 3-10% na hepatite C e 4-10% na B.

15/02/07 - Enviada por G.C.

   Você poderia me informar sobre uma duvida que eu tenho a muito tempo, e que eu não pergunto ao meu neurologista pois ele não gosta de tocar nesse assunto. Ele acha que não precisa me preocupar. Com 5 anos comecei a tomar tegretol 200 mg, com 9 anos o medico mudou para o Depakene 250 mg e eu tomo até hoje, agora estou com 21 anos tomando 3 vezes ao dia. Eu ouvi falar que essa medicação pode causar cirrose é verdade? Nos meus exames de sangue não houve alterações.

   O ácido valproico é potencialmente tóxico ao fígado, podendo causar um quadro de hepatite medicamentosa mais intensa em crianças abaixo de 3 anos ou se usado em conjunto com outro anticonvulsivante. Mas na maioria dos casos onde causa lesão hepática é lesão mínima, com períodos de aumento das transaminases intercalados com períodos normais. Assim, quem usa essa medicação continuamente deveria realizar dosagem das transaminases semestralmente e, a cada 2 ou 3 anos, avaliar função hepática, pois pode levar a cirrose no futuro se houver lesão.

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19/03/07 - Enviada por M.R.P.O.

   Recentemente descobri que tive contato com o vírus da Hepatite B, não sei como foi a contaminação já que não fiz transfusão e meu esposo (único parceiro de toda vida) não tem hepatite B. Fiz quatro cirurgias e tratamento dentário. Apresentei:

  • Anti-HBc (IgG) - Reagente

  • HBsAg - não reagente

  • Anti-HBs - reagente com titulo de 900

  • Todas as provas hepáticas normais.

   Infelizmente, os médicos que consultei (vários) não sabem anlisar os dados acima, e uma infectologista diz que estou curada mas sou transmissora. Isto, para mim não faz sentido. Desta forma , gostaria de saber:

  • Como me contaminei?

  • Estou curada, mas sou transmissora?

  • Este título de Anti-HBs indica contato recente?

  • Que exames fazer?

   Esses resultados indicam que você entrou em contato com o vírus (não há como esclarecer a forma de contágio), desenvolveu anticorpos (o nível de anti HBs indica proteção, não tempo de infecção) e está curada da doença, pois não desenvolverá mais hepatite (inflamação do fígado) por esse vírus. No entanto, sempre há uma quantidade mínima de vírus "encubados" nas células do fígado e em circulação no sangue, que é insuficiente para transmitir a infecção por via sexual, por exemplo, mas que pode ser transmitido por doação de sangue ou órgãos.

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