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Dr. Stéfano Gonçalves Jorge
O vírus da hepatite D ou delta é um dos menores vírus
RNA animais. Tão pequeno que é incapaz de produzir seu próprio envelope protéico
e de infectar uma pessoa. Para isso, ele precisa utilizar a proteína do
vírus
B. Portanto, na grande maioria dos casos a hepatite D ocorre junta a B, ambas
com transmissão parenteral (sangue contaminado e sexual). O vírus D
normalmente inibe a replicação do B, que fica latente.
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Coinfecção com HBV
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Superinfecção no portador de HBV
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Gravidade da infecção aguda
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Variável
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Geralmente severa
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Cronicidade
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Rara (2%)
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Freqüente (70-80%)
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Na fase aguda da infecção, ocorre esteatose
microvesicular e necrose granulomatosa eosinofílica por ação citotóxica
direta do vírus (a variedade amazônica é uma das mais severas). Na fase
aguda, a atividade necroinflamatória costuma ser severa. Em pacientes já
portadores do vírus B que apresentam infecção aguda pelo D, esta pode ser
severa com hepatite fulminante. Ao contrario da hepatite B, não apresenta manifestações
extra-hepáticas.
O diagnostico ocorre pela sorologia anti-HDV (IgM para infecções
agudas ou crônicas ativas e IgG para as crônicas - o anticorpo IgG não é protetor),
pela identificação do antígeno HDV no soro ou na biópsia hepática (pela
imunohistoquímica) ou por PCR.
O PCR mostra que há replicação (multiplicação) em virtualmente todos os
pacientes com vírus D.

O tratamento é realizado classicamente com alfa
interferon em altas doses (9 MU 3 vezes por semana por 12 meses após a normalização
do ALT), mas os resultados são desapontadores. Há resposta sustentada (normalização
do ALT e clearance do HDV) em menos que 10%, com taxa de cura em uma porcentagem
destes. Além disso, doses tão elevadas de interferon apresentam efeitos
colaterais severos, principalmente tireoidite e depressão com tentativas de suicídio.
O interferon beta mostrou resultados satisfatórios em estudos com poucos
pacientes. A lamivudina, apesar de eficaz contra a hepatite B, não mostrou
resultados satisfatórios associada ao interferon. O aparecimento do PEG-interferon deve trazer melhores resultados ao tratamento,
mas ainda não há estudos sobre o assunto.
Como o tratamento pode levar a
piora em pacientes cirróticos, mesmo com doença compensada, recomenda-se o
transplante hepático. Infelizmente, a recidiva da doença no órgão
transplantado é alta.

Artigo criado em:
2003
Última revisão: 23/11/05
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