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Anemia Falciforme e
Doença Hepática
Estudo de 106 pacientes
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Jorge, SG;
Meirelles, LR; Escanhoela, CAF; Yamanaka, A; Saad, STO
Hemocentro –
Universidade Estadual de Campinas
Introdução: Dentre as manifestações das
doenças falciformes, doença hepática é considerada freqüente, podendo ser
subclínica, caracteristicamente hepatomegalia e litíase biliar ou clínica, com
cirrose, crises hepáticas, colecistite aguda ou síndrome colestática. No
entanto, pouco se sabe sobre quais pacientes apresentarão hepatopatias mais
severas ou mesmo sobre a etiologia das mesmas.
Objetivos: Investigação hepatológica dos
portadores de doenças falciformes, buscando diagnosticar e estadiar doença
hepática subclínica, excluir outras etiologias para o seu surgimento e procurar
relacionar o risco de hepatopatia com a gravidade da doença falciforme.
Materiais e métodos: Foram estudados 106
pacientes portadores de doenças falciformes atendidos seqüencialmente no
ambulatório de hemoglobinopatias no Hemocentro-Unicamp de 1º. de fevereiro a 30
de julho de 2000. Submeteram-se à realização de ultra-sonografia abdominal,
exames laboratoriais e, aqueles com evidências de hepatopatia, a biópsia
hepática percutânea.
Resultados: Dos pacientes, 59 eram do sexo
feminino e 47 do masculino (55,6 e 44,4%). A idade média foi de 28 anos (IC 25,9
a 30,3). Em relação à hemoglobinopatia, 81,2% apresentavam anemia falciforme,
11,5% hemoglobinopatia SC e 7,2% Sb talassemia. Os exames laboratoriais
evidenciaram anemia (hemoglobina média 8,88 - IC 8,49 a 9,26), leucocitose
(média 11.121 - IC 10.045 a 12.197) e trombocitose (média 392.373 - IC 356.070 a
428.675). Houve tendência a aumento das transaminases, com AST em valores
superiores (média 42,5 - IC 37,3 a 47,7 – normal até 35) à ALT (média 25,3 - IC
21,2 a 29,5 – normal até 40), além de aumento da GGT (média 51,9 - IC 39,4 a
64,4 – normal até 50). Encontramos altos valores séricos de ferritina (média
572,5 - IC 366,5 a 778,6 – normal até 300). À sorologia, 6,9% são portadores de
hepatite C (6,9%), 6,9% hepatite B e 13,8% hepatites B e C. Definimos
previamente pacientes portadores de hepatopatia aos exames laboratoriais aqueles
com sorologias positivas para hepatites B e C, aumentos de AST, ALT e GGT acima
de duas vezes o valor de referência, coagulopatia e hipoalbuminemia sem outra
causa evidente e sinais de hepatopatia ao ultra-som. Com estes critérios,
encontramos 55 de 72 pacientes (76,4%) portadores de hepatopatia. Excluídos os
indivíduos portadores de doença promotora de lesão hepática crônica (hepatites B
e C) e aqueles com ferritina sérica maior que 500 ng/mL, encontramos 18 de 32
pacientes (56,25%) portadores de doença hepática crônica sem etiologia definida.
Nestes (vide gráficos), observou-se que a elevação de AST foi diretamente
proporcional ao número de leucócitos (p < 0,005) e plaquetas (p < 0,005) e
inversamente proporcional à hemoglobina (p < 0,05). A análise preliminar das
biópsias mostra como achados característicos nesses pacientes hemácias
falcizadas, dilatação sinusoidal, eritrofagocitose, hemossiderose e fibrose
pericelular.

Gráfico
1. Freqüência de hepatopatia em relação à doença falciforme

Gráfico
2. Correlação entre hemoglobina e AST

Gráfico
3. Correlação entre leucócitos e AST

Gráfico
4. Correlação entre plaquetas e AST

Foto
1. Falcização intrassinusoidal. HE, 400x

Foto
7. Hemofagocitose. HE, 400x

Foto
3. Congestão sinusoidal intensa. HE, 200x

Foto
4. Necrose hepatocelular e pigmentos férricos. HE, 200x
Conclusões: Os dados coletados mostram que a
maioria dos pacientes portadores de doenças falciformes possui hepatopatia.
Mesmo após a exclusão de outras causas descobertas pelos métodos atuais, 56,25%
dos pacientes apresentam doenças hepáticas, sendo a falcização intra-hepática de
hemácias a etiologia mais provável em vista dos resultados encontrados.
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